Teste da Árvore

I -Introdução

O teste da árvore é normalmente utilizado em crianças dos 4 aos 15 anos, podendo também ser utilizado como teste de selecção, o seu objectivo é perceber a forma e o nível de inteligência, afectividade, a estabilidade do EU e as modalidades de ataque e defesa face ao meio. O material usado consiste em 4 folhas A4 brancas, num lápis de mina macia e numa borracha, alguns autores consideram que não se deve utilizar a borracha, enquanto que outros observam o que é apagado pois consideram que o que a criança apaga é sintomático de problemáticas internas que não querem revelar (neste caso não foi usada borracha). As folhas são entregues à criança na vertical, no entanto se entender que as quer usar na horizontal, também pode, a realização do teste deve ser acompanhada de uma forma discreta anotando-se o tempo de execução para cada árvore, anotam-se também os elementos que tenham sido apagados. É impreterível que o teste seja passado num local onde não haja árvores ou sejam visíveis quaisquer elementos que possam influenciar o desenho das árvores ( quadros, exterior, etc.).

 

II -Método de Aplicação

Após ter sido seleccionado o local ausente de elementos que possam ser influentes no desenho pede-se à criança que: - desenhe uma árvore, qualquer uma excepto um pinheiro? , esta primeira árvore revela as reacções do indivíduo face a um meio desconhecido e inabitual, bem como as capacidades de autocontrole, regista ainda as atitudes controladas e as impressões que o sujeito procura deixar transparecer. Não é imposto limite temporal em nenhuma das 4 árvores, após concluído o primeiro desenho entrega-se a folha e pede-se da forma anteriormente descrita que desenhe uma árvore. Esta segunda árvore é significativa do modo de adaptação do sujeito, uma vez que é uma tarefa imposta, pois nesta altura o indivíduo julgava que a prova já estava terminada, o sujeito encontra-se agora num meio conhecido embora coagido, são nos reveladas as atitudes do sujeito no seu meio familiar, ou de outra forma, o seu comportamento típico na sua realidade quotidiana. Terminada que está a segunda árvore entrega-se uma nova folha ao indivíduo e pede-se que ?desenhe uma árvore de sonho, que não exista na realidade, desenhe-a como quiser?, esta técnica é suposto incitar o sujeito a revelar os sentimentos imaginários que o compensam das situações por si vividas, quer o indivíduo desenhe uma árvore real ou de sonho neste terceiro desenho, pede-se-lhe que diga o que a torna uma árvore de sonho e o porquê de não estar inserida na realidade, é assim introduzida uma nova perspectiva sobre os sonhos, os desenhos e as tendências insatisfeitas revelando consequentemente as dificuldades actuais e o modo como o sujeito espera a resolução das mesmas. Por fim entrega-se uma folha ao indivíduo e em simultâneo pede-se que ?desenhe uma árvore, qualquer uma mas de olhos fechados?, esta árvore é revelativa dos conflitos que o indivíduo atravessou e dos quais ainda sofre as consequências, têm-se assim a percepção dos mais antigos e importantes conflitos traumáticos vividos na primeira infância e que são ainda hoje condicionadores de alguns comportamentos, revela-nos na prática os comportamentos do sujeito e a interpretação que faz do passado. O modelo metodológico de aplicação do teste da árvore aqui descrito pertence a Reneê Stora.

 

III -Análise

Para fazer a análise do teste da árvore usam-se os dados grafológicos de Max Pulver, nomeadamente a Simbologia Espacial Grünwold, sendo ela resultado de dados estatísticos. Para a análise da árvore dever-se ?á ter em conta dos aspectos fundamentais, são eles: A estrutura que diz respeito ás raízes ou parte escondida do tronco enquanto suporte da copa, elemento estável com galhos e raízes, e à copa enquanto contacto com o meio envolvente, ou seja, a vida quotidiana e à zona do domínio do concreto A ornamentação têm a ver com as folhagens, frutos e flores que embora sustentados pela copa são elementos instáveis. As flores significam normalmente interesse pelo que se está a passar e aparência, os frutos são simbolismo de sentido prático mas também de um desejo de resultados demasiadamente rápidos. Deve-se ainda ter em conta outros factores como o tamanho e a localização da árvore em relação à folha, bem como o tipo de traço, que pode assumir diversas formas (limpo e direito; leve; curvo), usado no desenho. Não se deve no entanto esquecer que a árvore é representativa do corpo humano, sendo a copa significativa do relacionamento com o meio, o tronco representa as instâncias psíquicas (ID/ EGO/ SUPEREGO) as raízes reveladoras daquilo que há de mais primitivo no indivíduo (analisa-se a forma e direcção das raízes). As folhas representam o comportamento diário e funcional. Todas as 4 árvores que compõem os desenho têm um significado diferente e complementam-se de modo a permitir uma análise mais correcta do indivíduo em questão, uma vez que esse tema já foi abordado anteriormente, farei aqui apenas uma síntese. A primeira árvore revela o funcionamento do indivíduo quando se encontra num meio desconhecido. A segunda árvore mostra a maneira de agir do sujeito após ter havido uma familiarização com o meio. A terceira árvore é sintomática das tentativas que o indivíduo faz para compensar o seu bem estar interno. A quarta árvore é um referencial de antigos traumas não resolvidos.

arvore

domingo 19 abril 2009 18:44



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